… Os Grandes Pensadores e a Educação em ato …

pensadores

Desde 2006 a Editora Segmento (SP) vem publicando um suplemento especial da Revista Educação intitulado: Biblioteca do Professor. Nesse suplemento já foram publicados 09 (nove) fascículos apresentando a visão de grandes pensadores contemporâneos sobre questões educacionais.

O primeiro número foi dedicado ao gênio criativo de Sigmund Freud (1856-1939); o segundo foi dedicado ao gênio intempestivo de Friedrich Nietzsche (1844-1900); o terceiro foi dedicado ao gênio libertário de Michael Foucault (1926-1984); o quarto foi dedicado ao gênio inconformista de Hannah Arendt (1906-1975); o quinto fascículo da série foi dedicado ao gênio desmistificador de Pierre Bourdieu (1930-2002); o sexto foi dedicado ao gênio arrebatador de Gilles Deleuze (1925-1995); o sétimo foi dedicado ao gênio heterodoxo de Walter Benjamin (1892-1940); o oitavo foi dedicado ao gênio transcendente de Carl Gustav Jung (1875-1961); e o nono, e mais recente fascículo, foi dedicado ao gênio efervescente de Jacques Lacan (1901-1981). Qual será o gênio da décima edição? Estou muito curiosa. Existem tantas outras possibilidades, pois todos os grandes operadores da cultura pensaram e pensam a educação em algum momento de suas reflexões.

Bem, voltemos ao periódico. A revista está estrutura em 08 (oito) temáticas; uma sessão de bibliografia comentada; e ao final são apresentadas as referências bibliográficas citadas ao longo dos artigos publicados. As temáticas selecionadas destacam, além da esclarecedora biografia intelectual, as contribuições que cada um desses pensadores deixou registrado para pensarmos a escola e seu comprometimento ético e criativo; bem como, suas reflexões sobre a especificidade do fenômeno educativo. Sublinho, também, que existe uma apresentação de pequenos trechos de algumas obras dos autores onde podemos ter uma visão, bastante, panorâmica de suas reflexões sobre o ato educativo.

Todo o tratamento dado a esses fascículos é muito interessante, mas chamo atenção, em especial, para a sessão denominada Em Ato. Nessa parte da revista há comentários sobre diversos filmes. Os autores desses artigos se propõem a nos ajudam a pensar os conteúdos das películas selecionadas diante das idéias defendidas pelos pensadores selecionados. Esse exercício prático ao nos convidar a um momento lúdico, ao mesmo tempo, nos envolve em um aprendizado muito intenso: ler um conteúdo imagético e extrair dele possibilidades interpretativas mediante determinada postura intelectual.
Minha experiência com esse exercício foi muito intenso, pois cada vez que conclui a leitura, dessa sessão, fui à locadora mais próxima para locar, e assim, ver ou rever o filme discutido. Nessa hora saímos da dimensão de entretenimento da obra de arte. Aqui entra em cena a arte como saber, como uma das grandes chaves para a construção do conhecimento sobre o mundo que nos cerca e desafia. Pois como nos esclarece Arnauld Guigue: O cinema pode ser apreendido de outra forma, como experiência de vida. O que significa que ele pode ser outra coisa ou mais que um objeto estético suscetível de ser julgado belo ou agradável. Ele pode marcar profundamente nossa existência da mesma forma que a literatura ou a música. Uma experiência de vida põe em jogo muito mais coisas do que nosso simples gosto, ela põe em jogo nossa própria existência e aquilo que somos.

Provavelmente é nessa perspectiva que os autores dos artigos da sessão Em Ato têm em mente quando nos instigam a enxergar na obra de arte, no geral, e no cinema, em partícula, um lugar de enunciação de sujeitos sociais e as dimensões de sua existência material e simbólica.
Ampliando essa compreensão em torno dos filmes, Edgar Morin nos diz que as produções cinematográficas, ao lado dos romances, podem nos ajudar a compreender os aspectos substanciais da condição humana. Mas, é Syd Field quem nos lembra que os filmes tornaram-se parte de nossas vidas de tal maneira que às vezes nos esquecemos o quanto eles podem influenciar nosso comportamento ou nossa forma de pensar.

Leia os artigos. Prepare a pipoca, assista ou reassistir aos filmes. Elabore suas comparações e análises. Construa sua emancipação intelectual. Ela acontecerá se você cultivar a disciplina e o senso crítico. A aventura do conhecimento pode ser maravilhosa. Para que isso seja verdade, escolha suas companhias sabendo que essa viagem não tem retorno, de que ela não está isenta de riscos, controvérsias e intensos debates. Mas, será uma experiência indelével na sua caminhada rumo à liberdade de expressão, pois a liberdade pressupõe, fundamentalmente, a criação de consciências criadoras, criativas e críticas que sejam capazes de não aceitar imposições de verdades.

Um grande abraço.

Muita Paz.

Sônia Cândido

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