Madonna “Eu Sou Porque Nós Somos”

eusouporquenossomosDevemos estar, sempre, preparados para surpresas. Essas surpresas podem ser boas ou ruins, mas em alguns casos a surpresa pode ser, realmente, surpreendente. Durante a 32º Mostra Internacional de Cinema ocorrida entre os dias 17 e 30 de outubro assistimos a um documentário chamado: Eu Sou Porque Nós Somos (2008) dirigido por Nathan Rissman. Um detalhe: Nathan nasceu em Seattle, mas se mudou para Londres. Trabalhou para Madonna como assistente de pesquisa, diretor de arte, arquivista de vídeo e até de jardineiro.

Pois bem, Nathan dirigiu esse documentário que retrata Malaui, um país africano de 12 milhões de pessoas que tem mais de 1 milhão de crianças órfãos da AIDS; um problema muito grave de fome, má nutrição e desnutrição; e, onde os tratamentos médicos são, totalmente, inadequados. Não há saneamento básico e nem uma coleta regular do lixo industrial e doméstico. Há esgotos a céu aberto. Uma situação conhecida por todos nós. De um lado a outro do planeta constatamos que o capitalismo, o socialismo e, agora, a globalização implantaram um modelo de miséria pelo mundo afora. A condição humana, ainda, é de muito sofrimento.

O documentário: Eu Sou Porque Nós Somos é um adágio banto que, claro, faz referência à interconexão existente entre todos os aspectos da vida na Terra. Um adágio que nos lembra que nossas vidas são tecidas juntas. Tudo nos afeta, mesmo que não tenhamos uma clara visão dessa ligação de vida e de morte.

Voltemos ao filme: mesmo falando de tantas situações delicadas, Madonna, que narra o filme (com sua bela e inconfundível voz), apresenta histórias dolorosas deste país problemático de uma maneira que faz com que pensamos em nossas finalidades terrestres, em uma ética da responsabilidade. A película, no entanto, não fica, apenas, na denúncia da situação de risco desses grupos sociais, mas oferece reflexão sobre soluções reais para os desafios enfrentados por pessoas que vivem em situações de extrema pobreza. Portanto, não espere um filme piegas… Pois, há uma esperança e, até, uma certa alegria nos rostos de quem foi retratado.
A grande surpresa foi que o roteiro e a produção (dividido com Ângela Becker) desse, belíssimo e tocante, documentário foi de: Madonna!!!!!

De tudo que assisti na 32º Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, esse foi, sem nenhuma dúvida, o filme que mais me tocou pela sua pujança e sensibilidade. Essa foi minha surpresa: Madonna envolvida em um processo com essa temática. Nesse gesto é possível ver bondade, despreendimento, amor ao próximo.

Passada a surpresa descobri que um dos filhos dela é proveniente do Malauí e foi um dos órfãos da AIDS. Ela, também, tem uma fundação nesse país da África Subsaariana. Quando Madonna escreveu o roteiro do filme: Eu Sou Porque Nós Somos, sua intenção era apresentar sua visão sobre a situação de extremo sofrimento de nossos irmãos africanos. Ela faz mais que isso: nos lembra da necessidade de unirmos força para melhorar as condições de vida e de trabalho da maioria da população, independente de seu lugar geopolítico.

Não sou fã do trabalho artístico de Madonna, mas sou profundamente solidária ao seu trabalho humanitário.
Eu Sou Porque Nós Somos, documentário escrito, produzido (conjuntamente com Ângela Becker), narrado por Madonna e dirigido por Nathan Risman é um filme que vale apena sair de casa para assisti. Mesmo que você não goste da temática, vá ver com seus próprios olhos que o trabalho intelectual (pensar as problemáticas e oferecer soluções) não é tarefa, apenas, dos acadêmicos.

Muita Paz.

Sônia Cândido

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