O Vazio da Bienal: Em Vivo Contato.

bienal

Foto: Alessandro Desidério

Olá! Estive na Bienal. Muitos críticos publicaram e parecerem terríveis a 28º Bienal Internacional de São Paulo: Em Vivo Contato. Fui conferir!

Bem, como não sou crítica de arte e sim uma simples apreciadora de artes (dentro das minhas humildes possibilidades) me entreguei por inteiro a visitação. Logo no início uma surpresa: há uma homenagem à Dona Wanda Svevo, Secretária Geral da Bienal Internacional de São Paulo morta em 2006 (?). Imagine que estou lendo livros do filósofo francês Michael Serres. Esse autor fala sobre nossa relação com o corpo… E com a morte do corpo. Minha cabeça foi a mil.
Entrando no prédio da Bienal olhei para o chão e não reconheci o desenho. Pareceu sujo, meio largado. Conversando com umas das monitoras descobri que o chão foi projetado por uma artista plástica e foi aplicado como um papel de parede. A proposta é de que ele vá se desfazendo a medida que as pessoas circulem pela Bienal. Por isso me pareceu desgastado quando olhem para o chão. Que idéia genial não é?!?! O trabalho é de Dora Longo Bahia, artista brasileira!!!! Chama-se: Escalpo.
Bem, de muita coisa que vi e experimentei com meus sentidos e sensibilidade quero destacar quatro trabalhos:

1) o segundo andar. Aqui, a obra de arte é a própria estrutura arquitetônica. As colunas, o teto, os vidros, o chão (sem a aplicação artística), as cores (branco, preto e cinza). Caminhei por todo o espaço e fiquei muito emocionada. Imaginem um mergulho nas estruturas da sociedade através das estruturas arquitetônicas de um salão cheio de significados no silêncio… Pensei nos críticos e em suas dificuldades em pensar a forma da sociedade que erguemos até agora. É um espaço de reflexão, de interiorização, de questionamento. O espaço vazio de obras para consumo imediato grita de questões sobre o significado da vida, da condição humana e da construção de nosso futuro da humanidade. Ao fundo da sala um homem está sentado em meio a uma quantidade razoável de objetos. Um cartaz no meio de tudo pergunta: E se ele fosse um mendigo? Chorei… Estou chorando agora contando essa experiência. É muito forte… O homem nada fala… Eu dei boa tarde… Ele respondeu com um aceno. Depois observando de longe outra pessoa que se aproximou percebi que ele responde a sinais e gestos como mímica… É preciso inventar outras formas de comunicação???

2) No terceiro andar: O Mundo Explicado – Enciclopédia: Como o mundo e seus componentes funcionam de acordo com a visão de Não especialistas em qualquer campo do conhecimento. Esse trabalho é de um artista mexicano que vive em Barcelona chamado: Erick Beltrán. Imaginem que ele organizou perguntas científicas e saiu na rua perguntando as respostas às pessoas na rua. Perguntas científicas com respostas populares!!!!! As respostas não estão distantes das explicações que aprendemos nos livros. O saber nasce dessa forma. Perguntas respondidas nas vivências e entendimentos cotidianos!!! Esquecemos disso ao longo dos anos. Por isso precisamos ser lembrados. E ser lembrados pela arte é delicioso!!!!

3) No terceiro andar: há um trabalho de Peter Friedl. Esse artista austríaco que vive em Berlim enviou à Bienal slides digitalizados de playgrounds do mundo inteiro entre 1995 e 2008. Há tanta semelhança entre os parques no mundo inteiro: modelos de brinquedos, cores e espaço que nos perguntamos onde estão as diferenças?

4) No terceiro andar há uma parede branca (síntese de todas as cores) e uma fechadura confeccionada em metal. Ela não tem abertura. Foi instalada por Carsten Höller artista belga que vive em Estocolmo. Quando mais você se aproxima para ver através da fechadura mais sua própria imagem aparece destorcida. Quando mais afastada mais você se esquadra na visão do todo da sala. Não é incrível? Quando mais você se olha mais sua visão capta a distorção (de si mesmo!). Quanto mais desfocado de você mais integrado ao ritmo, som, imagem e cor do ambiente, do espaço… Uma boa análise psicanalítica vai nos falar do ego, do narcisismo, do voyeurismo (olhar pela fechadura… Olhar a intimidade do outro…). Tem mais assuntos sobre a Bienal.

Fiquei muito reflexiva sobre outras obras que nos fazem pensar na Complexidade, religação, condição humana… Bjs.

Sônia Cândido

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